QUE SABEMOS NÓS?: A Dança de Shiva

QUE SABEMOS NÓS?

De onde viemos? O que devemos fazer? Para onde vamos? Por que estamos aqui? O que é e qual o sentido da vida? Da vontade de descobrir as respostas para estas questões nasceu este blog.

Sexta-feira, Junho 23, 2006

A Dança de Shiva

A física quântica nos diz que todas as coisas são interligadas e que a idéia de que "eu" sou uma entidade isolada não passa de uma ilusão. Diz-nos, além disso, que o chamado mundo objetivo é uma "alucinação", uma projeção do imaginário ponto de subjetividade que temos dentro de nós. Temos sido muito lentos em assimilar as profundas implicaçõrs práticas da visão de mundo físico-quântica, sem dúvida porque ela nos obriga a operar mudanças extensas e profundas no modo pelo qual concebemos a nós mesmos e ao nosso universo. A perspectiva da física quântica, porém, não é tão nova quanto gostaríamos de acreditar. Está por trás de toda a tradição tântrica e especialmente das escolas de Hatha Yoga, que nasceram do Tantrismo.

É a imagem da "dança de Shiva" que melhor exprime essa idéia: Shiva, na qualidade de Nata-Rája ou "Senhor da Dança", cria perpetuamente, com o seu dançar, os ritmos do universo - os ciclos de criação (sarga) e destruição (pralaya). Shiva é o mestre tecelão do espaço e do tempo.

Segundo outra mitologia o Senhor da Dança, Shiva, possui os dois aspectos: destruidor e criador. Na reclusão de sua morada, no alto do Monte Kailasa nos Himalaias, Shiva dança. E ao executar este ritual ele revolve toda a neve sob seus pés e a sua volta. Assim enquanto dança ele destrói o universo. Mas a neve remexida pela dança se derrete e começa a formar um pequeno filete de água que desce as montanhas formando pequenos veios que mais abaixo se transforma numa volumosa fonte de vida que é o Rio Ganga.

Essa imagem do Hinduísmo clássico fascinou diversos físicos quânticos. O primeiro a chamar-nos a atenção foi Fritjof Capra, no seu conhecido livro O Tao da Física:

"As idéias de ritmo e de dança vem-nos naturalmente há memória quando procuramos imaginar o fluxo de energia que percorre os padrões que constituem o mundo das partículas. A física moderna mostrou-nos que o movimento e o ritmo são propriedades essenciais da matéria e que toda matéria, quer aqui na terra, quer no espaço sideral, está envolvida numa contínua dança cósmica. Os místicos orientais tem uma visão dinâmica do universo, semelhante a da física moderna; consequentemente, não é de surpreender que também eles tenham usado a imagem da dança para comunicar a intuição que tinham da natureza."

Não é só no campo do infinitamente pequeno que esses conceitos foram usados, o astrônomo Carl Sagan em sua série Cosmos aplica a Dança de Shiva ao infinitamente grande nas teorias de criação e destruição do(s) Universo(s) :

Fontes:

O Tao da Física- Fritjof Capra- Editora Pensamento

Série Cosmos- Carl Sagan.

2 Comments:

  • At Segunda-feira, Junho 26, 2006 9:07:00 AM, Blogger H K Merton said…

    Algumas semehanças entre os princípios contidos nos textos hindus e as ?novas? revelações da física quântica são realmente impressionantes. Tanto quanto a lentidão dos "homens da ciência" em assumir e assimilar as implicações práticas destes conhecimentos. Abandonar velhos paradigmas é muito difícil e muito penoso, e surpreendentemente parece ser ainda mais para muitos cientistas exponenciais, apegados à velhas fórmulas. Mas devemos compreender que, quando se trata do estudo da física, toda cautela é válida.

    PS.: Parabéns pelo novo lay do blog. Personalizar é preciso(?)...

     
  • At Segunda-feira, Agosto 13, 2007 2:11:00 PM, Blogger ci_mv said…

    Queria parabenizá-lo pelo blog, sou nova por aqui mas me identifiquei muito com suas idéias! Penso que hoje a religião,assuntos que envolvam religiosidade e crenças são banalizados. Hoje é muito mais honrroso ser homossexual do que acreditar em Deus ou em Deuses. Fica óbvia ao meu ver a essência da criação do mundo, acreditando nisso não ficamos tão perdidos com informações que não significam nada além de ciência....e nossa essência? E nosso sentimento de integração com a natureza que vai além do que a ciência nos propõe?
    Grande Abraço!!
    Cíntia

     

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